Sustentabilidade virou palavra de ordem em praticamente todo setor de consumo, e na joalheria não é diferente. Mas, diferente de outros mercados, aqui o assunto tem um desafio concreto de rastreabilidade que vale entender antes de acreditar em qualquer "peça sustentável" vendida sem explicação.
Diamantes de laboratório
O avanço mais visível é o dos diamantes de laboratório (lab grown), cultivados em ambiente controlado em vez de extraídos por mineração. Segundo reportagens do setor, a produção de um diamante de laboratório emite até 95% menos CO2 que a mineração tradicional, além de eliminar o desmatamento e os custos sociais associados à extração.
O movimento já chegou ao mercado brasileiro em escala relevante: em 2024, a Pandora lançou no Brasil uma linha de joias com diamantes de laboratório, movimento que marcas de joalheria autoral menores já vinham fazendo havia mais tempo.
Ouro e prata reciclados
Outra frente é o uso de metais reciclados, ouro e prata que já circularam no mercado (de joias antigas, sobras industriais ou eletrônicos) e voltam para nova produção em vez de vir de mineração nova. Marcas menores especializadas em joalheria autoral já adotam essa prática de forma declarada.
O desafio da rastreabilidade
Aqui está o ponto que qualquer comprador deveria saber: hoje não existe uma regulação específica no Brasil que obrigue a comprovação de que um metal é de fato reciclado. Isso significa que, sem certificação de terceira parte, é tecnicamente possível vender ouro recém-minerado como se fosse reciclado, e não há como o consumidor final verificar isso sozinho. Na prática, a palavra "sustentável" numa peça de joia hoje depende muito mais da reputação de quem vende do que de uma norma que garanta a informação.
O custo da sustentabilidade
Vale ser honesto sobre a outra parte da equação: produzir com metal certificado reciclado ou diamante de laboratório tem custo mais alto que a produção convencional, e nem sempre esse custo extra pode ser totalmente repassado ao preço final sem afastar o cliente. Isso explica por que a adoção ainda é mais forte em marcas de ticket mais alto do que na semijoia de giro rápido vendida no atacado.
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